Opinião

O nome do craque do Sampaio: Virgil Lopez

Na semana passada, quis o destino que o título da LBF 2018 ficasse nas mãos do time do Vera Cruz Campinas. Certamente um conquista merecida.

Mas se Babi, Aline e Gretter não tivessem tirado da cartola seus improváveis arremessos decisivos, estaria aqui também reforçando a legitimidade de um título do Sampaio Basquete.

O excelente trabalho do vice-campeão passa certamente pelas mãos da diretora Iziane, atleta decisiva quando o Sampaio foi campeão em 2016.

Mas o destaque absoluto do time foi a atuação sóbria e segura do técnico Virgil Lopez.

Se o Sampaio tivesse vencido, o script também seria ótimo. Vejam só: em 2013, Virgil foi anunciado como técnico da equipe de Americana após a saída de Zanon, de quem era assistente. Sob desconfiança e com um ótimo time em mãos, o francês acabou perdendo uma decisão de Jogos Abertos do Interior para Ourinhos, então comandado por Cristiano Cedra.

A derrota fez com que Virgil voltasse humildemente a ser assistente de Antonio Carlos Vendramini na equipe. A dupla ganhou os títulos da LBF em 2013/4 e 2014/5 e se separou na temporada seguinte quando Virgil foi assistente de Lisdeivi na mesma conquista do Sampaio de 2016.

Certamente uma vitória agora sobre o time de Campinas, originário da mesma equipe de Americana, seria mais marcante nesse novo vôo solo do francês. Mas a derrota não deve apagar seus méritos.

Virgil montou um time de forma inteligente utilizando-se muito bem das opções disponíveis no mercado. E teve precisão cirúrgica na escolha das estrangeiras. Ao longo do torneio sustentou um trabalho defensivo irretocável, que surpreendeu e sufocou o time de Campinas na série final.

No ataque, ciente das limitações do seu time, valorizou a posse de bola e teve ótimos momentos cadenciando o jogo.

Trata-se um jeito de atuar pouco comum por aqui e que muitas vezes incomoda até mesmo as atletas, cultivadas num ambiente que em geral pensa o jogo como se a pontaria suprema de Hortência fosse regra geral até hoje.

Por isso, Virgil venceu. Temporada de craque.

Entre as atletas do Sampaio, como já disse anteriormente, os destaques ficaram com as estrangeiras.

Briahanna Jackson teve uma temporada muito boa, na qual se lamentam apenas as atuações ruins nos dois jogos finais.

A chilena Ziomara é ótima atleta e que poderia em uma situação de protagonismo ter elevado a força do time.

Entre as locais, o destaque foi dividido entre a ala Tatiane Pacheco e a pivô Karina Jacob. Ambas subiram muito de produção nos momentos decisivos. Sobre a ala Tati, devo registrar que os bons momentos dão algum ânimo a uma jogadora que vinha de uma atuação ruim na AmeriCup e de uma experiência mal sucedida na Espanha. Mas é fundamental que a atleta mantenha um nível ainda maior de concentração e envolvimento com o jogo, pois ainda são comuns os momentos em que deixa de ser visível em quadra.

Por fim, merece um registro também a formidável evolução da ala-pivô Vitória nesta temporada.

Que o Sampaio mantenha seu trabalho no basquete feminino e que possamos ver o Castelinho maravilhosamente lotado como nesse ano!

Bert