Opinião

Opinião: Que o bom basquete esteja guardado para as finais

 

Finalizadas as quartas-de-final da LBF, disse aqui que se o nível técnico não havia sido notável, ao menos havia sobrado emoção.

Nas semifinais recém-encerradas, os times ficaram devendo nos dois quesitos.

Os dois favoritos  – Vera Cruz Campinas e Sampaio Basquete – confirmaram sua força, mas estiveram longe de praticar um bom basquete. Ainda assim venceram por 2 a 0, justamente porque os adversários produziram menos ainda e pareceram já satisfeitos com a chegada às semifinais.

Na série entre Vera Cruz e Blumenau, o time catarinense sofreu muito com sua rotação limitada e não chegou a ameaçar o líder invicto, que esteve distante de mostrar brilhantismo.

A equipe de Campinas teve como suas jogadoras com maior eficiência as armadoras Babi e Gretter. A cestinha na série foi novamente a ala Patty (33 pontos/2 jogos). No jogo 1 houve uma aparição de Mônica Nascimento (17 pontos). No jogo 2 quem tomou a vitamina secreta foi a dupla de alas reservas Jeane e Karla (31 pontos). Apesar dessa fartura de opções, o time tem caído na tentação de apostar seu jogo no furor ofensivo da cubana Ariadna, que totalizou na série quase 23% das tentativas de cestas do elenco, com aproveitamento inferior a 30%.

No time de Blumenau, destaque para Waleska Pérez, cestinha da série com 38 pontos. A venezuelana foi uma contratação muito inteligente do técnico João Camargo, que em declaração à Federação Catarinense de Basketball resumiu assim a campanha: “A avaliação é positiva e a expectativa é de fortalecer nosso trabalho e tentar conquistar o título do Estadual. Gostaria de agradecer o apoio da Federação Catarinense de Basketball junto com a Trimania e já estamos nos mobilizando para a liga nacional de 2019. Com esse resultado, é possível que apareçam mais apoiadores e esperamos que isso se concretize.”

Na série entre Sampaio e Uninassau, o panorama foi semelhante.

Favorito no confronto, o Sampaio tem falhado em mostrar a evolução que seus primeiros jogos prometiam. Se a defesa é a melhor do campeonato, o ataque é muitas vezes errático e insiste em não procurar as mãos mais habilidosas do elenco: as da chilena Ziomara. Como comparação, a pivô teve 68% de aproveitamento na série, mas teve a oportunidade de ser a  autora dos arremessos em menos de 16% das vezes. A chilena liderou seu time em pontos (31) na série, que contou também com boa participação de Karina Jacob. Essa força do garrafão abre uma boa perspectiva para o time na final.

Pelo lado do Uninassau, Gil e Casanova se apresentaram com a costumeira intensidade. Mas a escalação do time titular pelo técnico Dornelas com Gil, Maria Carolina e Gabriela, jogadoras que atuam mais regularmente próximas à cesta, deixou o jogo previsível e estático. E se dessa vez não faltou esforço por parte de Tássia, o mesmo não se pode dizer da inspiração da ala nos arremessos à longa distância (11% de aproveitamento na série).

A expectativa é que o panorama mude nessas finais, que possamos assistir jogos com bom nível técnico, com casa cheia, intensos e emocionantes.

E vamos às finais!