História

A INCRÍVEL SUSAN ANDERSON, A MÃE DA STEPHANIE

Foto: Paulino Lamenha

A pivô Stephanie Soares é reconhecidamente uma das grandes apostas para o futuro da seleção brasileira.

Atualmente Stpehanie está na The Master’s University (TMU), em Santa Clarita, na Califórnia (EUA), disputa a NAIA e recentemente participou da conquista da medalha de ouro dos Jogos Pan-Americanos de Lima (2019) pela seleção brasileira.

A jogadora teve sua primeira convocação para a seleção brasileira em 2018, quando disputou o Sul-Americano. Sem passagens prévias pelas seleções de base, era apresentada como filha de mãe americana (Susan) e pai brasileiro (Rogério).

Em uma entrevista recente, a técnica de Santo André, Arilza Coraça, revelou que essa mãe Susan é a pivô norte-americana Susan Anderson, que defendeu o time andreense por duas temporadas na década de 1990.

Susan era uma pivô de técnica bastante refinada, muito eficiente e que se encaixou com perfeição no time então comandado por Laís Elena Aranha.

Susan havia se destacado no cenário americano ao defender a Universidade do Texas. Em 1987, a pivô chegou a defender o time americano que representou o país na Copa William Jones, torneio internacional realizado na China.

Em 1991, Susan se formou em Educação Primária e a primeira oportunidade de atuar profissionalmente apareceu no Brasil, com um contrato com o time de Santo André no mesmo ano.

Em entrevista ao Los Angeles Times em 1995, Susan falou da experiência: “Eu amei o Brasil. As pessoas eram ótimas e a competição era maravilhosa. Jogávamos em ginásios pequenos, mas sempre lotados e a torcida se envolvia com o jogo.”

Mas a temporada de estreia no Brasil teve seu lado traumático. Durante uma parada para uma refeição em uma estrada no interior de São Paulo, as jogadoras de Santo André foram brincar em um parque de diversões próximo. O anel de Susan se prendeu em um balanço e a jogadora perdeu parte do dedo anelar direito. “Estávamos no meio do nada e eu perdi meu dedo. Foi realmente dramático.”_ relembrou na mesma entrevista.

Várias cirurgias foram necessárias para reconstituir o dedo da pivô. Ela recuperou as condições de jogo em alto nível e rumou para uma temporada no basquete japonês. Gostou muito da experiência, da disciplina e da dedicação nipônicas, e até mesmo preferiu o estilo de jogo de lá. Mas a paixão estava mesmo no Brasil.

Assim, em 1993, Susan voltou ao time de Santo André, que naquela temporada contava com o patrocínio da Lacta.

Além de Susan então com 25 anos, a equipe contava com a também americana Edna Campbell (que teria mais tarde trajetória de destaque na WNBA e seria campeã mundial com a seleção norte-americana em 1998), Janeth Arcain, as irmãs Leila e Márcia Sobral, Simone Pontello, Rita, Sandra, Patrícia Silva, Regina (Casé) e Jacqueline Godoy.

O time de Santo André foi naquela temporada o principal rival do super-time da Nossa Caixa/Ponte Preta, que reunia a dupla Paula e Hortência pela primeira vez na história em clubes. Os dois times fizeram a final do Paulista, principal campeonato de clubes à época, com vitória da Ponte Preta por 109 a 86 no dia 17 de janeiro de 1994.

Jogaram aquela final pela Ponte: Magic Paula (8 pontos), Helen Luz (6), Hortência (17, com febre), Nádia Bento (19), Roseli Gustavo (12), Ruth (4), Karina Rodrigues (34), Elena Bounatiants (9) e Silvinha Luz (0). Pela Lacta: Leila (18), Janeth (26), Rita (12), Edna (18), Susan (12) e Márcia (0).

Na fase classificatória, o Lacta havia arrancado uma vitória sobre a Ponte, em Campinas (88 x91, com 46 pontos de Janeth, com o desfalque de Paula), que mereceu palavras à ocasião do jornalista Armando Nogueira, em sua tradicional coluna publicada nos maiores jornais do país:

“(…) A vitória da Lacta sobre a Ponte foi de empolgar. Pelo entusiasmo, pelo desassombro das meninas, lideradas pela jogadora Rita, a moça das mãos fatais. E, também, pela já consagrada Janeth. Janeth é um sopro. Vai passando e trespassando com a leveza do vento.”

“A equipe da Lacta não é tecnicamente melhor que a da Ponte, que tem Hortência, Karina e Paula. Mas pelo menos domingo, foi. Parecia uma torrente em quadra. Parabéns à treinadora Laís Elena.”

Nessa temporada, Susan já estava noiva do brasileiro Rogério Soares, que estudava e jogava basquete na mesma The Master’s que hoje Stephanie defende.

Em 1995, Susan voltou aos Estados Unidos e atuou com técnica da The Master’s por uma temporada para ficar mais perto do noivo.

Em maio daquele ano os dois se casaram e retornaram ao Brasil, onde Susan ainda teve sua última experiência profissional no BCN/Piracicaba com a técnica Maria Helena Cardoso.

Além de Stephanie, o casal tem outros quatro filhos: Timothy, Jessica, Tiago e Rebeca.

Arquivo Pessoal

No último mês de agosto, Susan e Stephanie participaram da cerimônia em que a quadra principal do Complexo Esportivo Pedro Dell’Antonnia, em Santo André, foi batizada com o nome da treinadora  Laís Elena Aranha da Silva, falecida em março desse ano. As duas aparecem ao lado de Janeth na foto:

Arquivo Pessoal

 

por Bert – Painel LBF

(09 de setembro de 2019)