Opinião

BRONZE NA AMERICUP CONFIRMA EVOLUÇÃO DA SELEÇÃO BRASILEIRA E APRESENTA NOVOS DESAFIOS

Foto: Paulino Lamenha

A seleção feminina de basquete conquistou a medalha de bronze na AmeriCup ao derrotar Porto Rico por 95 a 66 no último domingo (29 de setembro de 2019).

Nas últimas duas edições da competição (2015 e 2017), o Brasil havia chegado na quarta colocação, resultado que em 2017 eliminou o país da disputa do Mundial 2018. Nessas duas situações, a seleção norte-americana (campeã da edição 2019) não esteve presente.

Assim como a medalha de ouro no Pan já demonstrava uma evolução no nível das apresentações da seleção feminina após a chegada da comissão técnica chefiada por José Neto, o atual bronze reforça essa boa impressão.

A ressalva que deve ser feita é que resultados continentais nem sempre se confirmam nas competições de primeira grandeza (Mundiais/Olimpíadas). A própria seleção feminina foi campeã em 2011 da Copa América, que a classificou para os Jogos Olímpicos de Londres (2012), competição na qual o resultado não foi bom.

E por estar mal até mesmo nas competições continentais, o Brasil vinha ficando de fora dos grandes eventos nas categorias de base e até mesmo no último Mundial da categoria adulta. Reconquistar essa possibilidade de retorno a esse universo extremamente restrito do basquete feminino de apenas doze equipes que se classificam para Mundial e Olimpíada já é um avanço e é lícita a comemoração.

Mostrar-se competitivo no nível regional é pré-requisito para tentar revisitar as glórias da modalidade. Para um grupo que havia perdido a hegemonia até na América da Sul, as duas medalhas desse ano ainda não garantiram nada, mas já resgataram a autoestima da modalidade e atraíram novos admiradores. É um passo inicial numa caminhada que se anuncia longa e exaustiva.

O próximo degrau de Neto e suas meninas é a disputa do grupo B do Pré-Olímpico das Américas, que acontecerá entre 14 a 17 de novembro em Bahía Blanca, Argentina.

Farão parte da disputa a Argentina, o Brasil, a Colômbia e os Estados Unidos.

Os Estados Unidos disputarão o torneio mesmo já classificados para os Jogos Olímpicos de Tóquio (2020), por serem os atuais campeões mundiais.

Assim, o grupo, oferece uma única vaga adicional ao Pré-Olímpico Mundial à seleção melhor qualificada entre Argentina, Brasil e Colômbia após a disputa de três jogos em turno único.

O grupo A tem sede em Edmonton (Canadá) e reunirá na mesma data Canadá, Porto Rico, Cuba e República Dominicana na disputa por duas vagas para o Pré-Olímpico Mundial.

Trata-se da estreia de novo sistema desenhando pela Federação Internacional de Basketball (FIBA) para a classificação olímpica. Desde o anúncio, ele tem se mostrado confuso e a participação obrigatória dos dois países já classificados (Japão e Estados Unidos) agrava o estranhamento, de maneira que a estatística mostra chances diferentes de sucesso entre os dois grupos.

Os sorteios adicionais do Pré-Olímpico Mundial repetirão o problema, e por isso deveriam merecer uma análise mais cuidadosa e uma discussão mais democrática, com participação ativa das federações.

por Bert – Painel LBF

(02 de outubro de 2019)