História

HÁ 25 ANOS, O BRASIL ESTREAVA NO MUNDIAL DA AUSTRÁLIA

No início da década de 90, o basquete feminino vivia seu apogeu de popularidade no Brasil. Paula e Hortência já eram conhecidas e admiradas desde a década passada, mas as conquistas do Pan-Americano (Havana, 1991) e da vaga olímpica no Pré-Olímpico (Vigo, 1992) alavancaram paixão e idolatria sobre as duas. Num país que amava o futebol, mas vivia a frustração da Copa de 1990, o basquete feminino era a bola da vez.

A primeira participação olímpica do basquete feminino brasileiro, no entanto, acabou de forma amarga. O time saiu dos trilhos em Barcelona (1992) e a técnica comandante das conquistas passadas – a dedicadíssima Maria Helena Cardoso – acumulava desgastes com o grupo e com dirigentes e já havia escrito uma carta de demissão antes mesmo do torneio começar.

Ao fim dos Jogos de Barcelona, Hortência tinha 32 anos e Paula, 30. Parecia que não haveria outra oportunidade tão boa como aquela. Hortência já falava sobre uma possível aposentadoria.

No ano seguinte (1993), a Confederação Brasileira de Basquete anunciou o técnico Miguel Ângelo da Luz como novo comandante da seleção feminina. Então desconhecido no meio, Miguel fez uma primeira convocação para o Sul-Americano de Cochabamba sem as duas estrelas. Na apresentação, as mais experientes do grupo mostravam curiosidade quanto ao novo técnico. “Não tenho nem ideia da cara dele”, declarou Janeth à Agência Estado. “Se cruzasse com ele na rua, não teria condições de reconhecê-lo” dizia a pivô Marta e completava: “A única coisa que sei é que ele disse numa entrevista que provará seu valor com trabalho.”

O Brasil ganhou aquele Sul-Americano e Miguel seguiu com seu plano de renovação também na Copa América (1993, São Paulo), classificatória para o Mundial da Austrália (1994). Trouxe de volta Paula e Hortência, mas manteve a aposta sobre nomes da seleção juvenil (Leila, Lígia, Silvia Luz, Alessandra e Cíntia), que havia ficado com a quinta colocação no Mundial da categoria no mesmo ano (Seul).

Na Copa América, a seleção não começou bem, mas cresceu ao longo da competição e teve um bom momento ao vencer a seleção americana, que apresentava no Ibirapuera o início da trajetória de Lisa Leslie e Dawn Staley. Na final, as americanas deram o troco e o Brasil ficou com a prata.

Naquele mesmo ano, pela primeira vez na história, Paula e Hortência jogaram juntas em um clube: a Ponte Preta (Campinas, SP). O time ganhou tudo, inclusive o Mundial Interclubes. Ao final da temporada 1993/1994, Hortência se estranhou durante um jogo com Branca, armadora de Araçatuba à época e irmã de Paula. O conflito respingou na relação com Paula, que acabou deixando a Ponte Preta ao fim da temporada.

O desentendimento entre as duas estrelas era um ingrediente que aumentava a desconfiança sobre a seleção em 1994, que se apresentou desfalcada da pivô Marta (não convocada por opção do técnico) e da armadora Nádia, que pediu dispensa.

Com cerca de dois meses de treinos, as expectativas não eram grandes. Além de Miguel, a comissão tinha Sérgio Maroneze como assistente, Hermes Balbino como preparador físico e Valdyr Pagan como supervisor.

A seleção treinou em São Roque (SP) e fez amistosos no Nordeste contra Argentina, Cuba e Eslovênia.

Antes do embarque para Austrália, Paula e Hortência declararam que o Mundial seria a despedida de ambas da seleção.

A chegada à sede do Mundial, no entanto, não foi animadora. Disputando um quadrangular amistoso, o Brasil perdeu para a seleção principal da Austrália (93 x 67), para os Estados Unidos (95 x 81) e obteve apenas uma vitória magra sobre a seleção juvenil australiana (96 x 91). “Ainda temos que melhorar muita coisa até o Mundial” comentou Hortência em matéria da Agência Estado.

Foi por isso que ao estrear com vitória de 112 a 83 sobre Taiwan, o adversário mais fraco do Grupo C (sediado em Launceston, na Tasmânia), no dia 02 de junho de 1994, não se sabia ao certo o que esperar daquele time.

Na partida de estreia, o destaque foi Janeth, que em 34 minutos somou 23 pontos, 18 rebotes e 06 assistências. Paula teve 22 pontos e 8 assistências e Hortência somou mais 22 pontos. Com 20 anos, titular e apresentada como “a pivô mais voluntariosa” pela comissão técnica, Alessandra Oliveira não se fez de rogada e somou 20 pontos e 13 rebotes contra as asiáticas.

O jogo do dia seguinte, contra a Eslováquia, prometia maior dificuldade…

por Bert (Painel LBF)