Opinião

OPINIÃO: A TERCEIRA LISTA DE NETO

Foto: Paulino Lamenha

Somadas as cinco apresentações na campanha de ouro no Pan de Lima e os seis jogos da jornada do bronze na AmeriCup de San Juan, temos onze jogos oficiais da seleção feminina de basquete sob o comando de José Neto.

O ano de 2019 ainda reserva mais três jogos para o time no grupo B do Pré-Olímpico das Américas, que definem a sobrevivência do Brasil na caminhada da vaga olímpica.

Na semana passada foi divulgada a lista de convocadas para essa competição, que reforça as escolhas de Neto desde o início do trabalho, volta a apresentar novidades e surpreende com a ausência da pivô Nádia Colhado.

Vamos a uma análise por posições:

Armadoras

Titular nas duas competições até aqui, Débora tem mostrado grande evolução. Segura, boa defensora e com boa leitura de jogo, tem se confirmado com a melhor opção da posição no momento. Sua principal limitação é o escasso repertório de arremessos.

Alana teve uma boa estreia na AmeriCup e foi crescendo ao longo da competição. Apesar de segura na condução na bola, iniciou muito inibida na criação, mas mostrou alguma evolução. Ainda não conseguiu repoduzir seus bons lances de infiltração e mostrou dificuldade em marcar adversárias mais ágeis.

Presente apenas no Pan, Lays mostrou maior apetite ofensivo e velocidade. Muito jovem tem ainda uma capacidade menor tanto de leitura como de organização de jogo.

Assim como nas outras competições, Neto provavelmente terá que fazer uma escolha, já que a manutenção das três reduz bastante a estatura do elenco.

Alas

Nas laterais não há surpresa. O treinador mantém os cinco nomes que estiveram presentes no Pan e AmeriCup e que devem seguir para o Pré-Olímpico: Tainá, Patty, Ramona, Tati e Raphaella.

Nessa posição, o treinador tem revezado bastante as opções, tentando equilibrar suas falhas, virtudes e melhores momentos individuais, ainda que por vezes o jogo do quinteto fique estrangulado.

Tainá e Patty foram titulares na AmeriCup e mesmo que fisicamente estejam em desvantagem em relação às reservas, tem apresentado melhores níveis de regularidade e concentração.

Tainá teve ótimos momentos nas duas competições e tem a vantagem de poder  eventualmente assumir a posição um.

E Patty tem feito um louvável esforço em tentar trazer seu jogo para um nível mais elevado.

Tecnicamente bastante completas e fisicamente fantásticas, Tati e Raphaella tem oscilado mais, e às vezes pecado na concentração e na leitura de jogo.

Já a disposição defensiva de Ramona acabou lhe oferecendo bom espaço na rotação de Neto, mas especialmente na AmeriCup a jogadora pecou bastante no ataque.

Pivôs

Nessa posição, o técnico tem suas maiores forças e até o momento é aí que concentra seu jogo ofensivo.

Na convocação atual, surgem duas novidades: Jennifer Nonato e Vitória Marcelino, que reiteram o esforço do treinador em ampliar a base de atletas para a seleção, o que é salutar e necessário.

Neto repete ainda as convocações de Maria Carolina e Juliana Maria, já chamadas na preparação anterior. A segunda nem chegou a se apresentar àquela ocasião e sua vaga acabou ocupada por Adriely, convocada na semana passada para a preparação da seleção sub-17 para o Sul-Americano da categoria.

Voltam ao time Mariana Dias, que jogou a AmeriCup e Stephanie Soares, que disputou o Pan. As duas são altas, versáteis e talentosas, mas ainda estão naturalmente em formação técnica e física.

Completam o time o trio de “intocáveis”: Damiris, Érika e Clarissa.

A mais completa de nossas jogadoras atualmente, Damiris, voltou à seleção na AmeriCup. Mostrou uma natural dificuldade de entrosamento inicial, mas ainda assim deixou evidente sua qualidade.

Érika, aos 37 anos, tem apresentado suas melhores atuações na seleção, por ter enfim encontrado um técnico que consegue organizar o time no sentido do seu aproveitamento. Por muitos anos na seleção, o talento da pivô ficou sub-aproveitado.

Por fim, a incrível Clarissa é capitã do time e peça indispensável no desenho da seleção.

Acredito que justamente a força desse trio acabou por fazer com que a comissão técnica não convocasse Nádia, após temporada de destaque na Europa e mesmo na LBF. A minha impressão pessoal é que considerando uma preparação e um torneio curtos, a opção foi privilegiar jogadoras atualmente já mais encaixadas no sistema (Stephanie e Mariana).

por Bert – Painel LBF

(18 de outubro de 2019)