Opinião

Opinião: Balanço da Temporada Regular da LBF

Nos dias iniciais da atual temporada da LBF, fiz na minha casa antiga uma breve análise do panorama inicial da disputa.

Com o início dos play-offs, é hora de rever a temporada regular e fazer o registro do que de mais interessante aconteceu até aqui.

Líder invicto, o Vera Cruz Campinas tem o melhor ataque da competição e a segunda melhor defesa. Apesar do equilíbrio nos dois lados, é o ataque a chama desse time. O elenco tem jogadoras naturalmente muito ofensivas (Patty, Gretter, Ariadna, Karla, Jeane). Tão ofensivas, que conseguiram até a proeza de pemirtir que a armadora Babi, atleta que não se destaca pelo arremesso, alcançasse sua melhor marca de pontos na história da competição. Com a contusão de Mariana Dias, o time de Vendramini optou por ir à quadra com apenas uma pivô, com um revezamento entre Fabiana Caetano, Aline Moura e Mônica Nascimento. Esse pouco investimento no jogo embaixo da cesta parece ser a principal fraqueza do favorito.

Na oitava colocação, o São Bernardo/Brazolin/Unip será o desafiante de Campinas no play-off. É uma missão dura para as meninas do técnico Marcio Bellicieri, mas que não deve apagar o brilho da campanha do time na primeira fase. São Bernardo esteve muito acima do esperado para a sua juventude. O time apresentou ao basquete brasileiro a joia Thayná, indiscutível revelação dessa edição, e reforçou o talento da armadora Lays, também merecedora de espaço na seleção brasileira. Além dessas, a veterana Julia e a jovem Milena tiveram bons momentos. Deixando de lado o número de vitórias e derrotas, os aspectos técnicos e táticos, o mais interessante em São Bernardo é perceber o surgimento de uma nova geração disposta ao jogo, com vontade de ganhar e sem medo de enfrentar adversárias mais experientes. Uma atitude que andava muito distante das quadras de cá.

Segundo colocado, o Sampaio Correa desenhou uma campanha que reforça as boas impressões do trabalho do técnico Virgil Lopez e sua dedicação ao trabalho defensivo. Achei apenas que o time oscilou (e errou) um pouco a mais do que os seus jogos iniciais faziam supor, mas é possível que esteja a guardar surpresas para os momentos decisivos. O destaque do time tem sido a dupla estrangeira: a armadora americana Briahanna Jackson e a pivô chilena Ziomara Morrison, mas o técnico tem evitado sobrecarregá-las ou restringir o jogo a elas. Nessa busca por um time mais homogêno, Virgil tem envolvido outras sete atletas (Leila, Tati, Vitória, Êga, Karina Jacob, Joice Coelho e Bia), que inividualmente não fizeram uma primeira fase muito regular, mas coletivamente não comprometeram.

Sétima colocada, a equipe de Presidente Venceslau conseguiu vencer o Sampaio em um dos encontros no primeiro turno e tenta repetir a proeza nos play-offs. A chegada da dupla hermana Macarena Durso e Agustina Leiva deu alguma cor a uma equipe que se apresentava geralmente em tons pálidos.  Além das argentinas, a evolução decorre de uma boa temporada da ala-pivô Izabela (cada vez mais afeita às bolas de três) e da pivô Barbara, com boa evolução após uma passagem no basquete português.

A terceira posição acabou nas mãos da Uninassau. O time não havia começado a competição bem, mas uma mudança de postura da ala Tássia colocou o time de volta aos trilhos. Mais participativa e corajosa, Tássia alcançou a redenção nessa primeira fase da LBF com ótimas atuações, que unidas as da excelente dupla Gil & Casanova foram determinantes nesse bom resultado. Nas últimas rodadas tem chamado a atenção a boa fase de Gabriela. Jogadora treinada na posição de pivô nas categorias de base, Gabriela foi migrada para a lateral por Dornelas em função de seus 182 centímetros e vinha tendo dificuldade no processo. Nos últimos nove jogos, em oito ela pontuou em dois dígitos. Mas é verdade que tem voltado a atuar mais próximo da cesta. Entre o banco, Chirinda tem tido algumas boas passagens. Na temporada regular, a Uninassau bateu o time Itu, seu adversário de play-off, nos dois jogos.

O time da Funvic/Ituano iniciou a LBF sob grande expectativa, mas com resultados ruins. Ao longo da temporada o time se beneficiou da melhora de produtividade da armadora Joice, que -a exemplo do time – estava fora do tom nos primeiros jogos. Líder em assistências da competição, ela foi uma das grandes responsáveis pela sexta colocação. O time teve ainda uma boa temporada da jovem Maira, mesmo que titubeante e registrou uma evolução surpreendete da ala-pivô Leidi, outra com passagem por Portugal. O time tem pecado, no entanto, em sobrecarregar as veteranas Palmira e Kelly e envolver pouco o seu banco, mais capaz do que os números fazem supor. Em alguns jogos foi evidente o esgotamento físico do núcleo do time titular.

Encerrando a disputa dos plays-offs, Blumenau (quarto colocado) e Santo André (quinto) se enfrentam.

Blumenau faz sua melhor temporada da história. O técnico João Camargo apontou o fato de ter mantido a base da LBF 2016/7 como seu trunfo. E realmente o clube ganhou alguma consistência, que foi potencializada pela chegada da venezuelana Pérez, contratação oportuna da equipe. O quarteto mais experiente Cacá/Carina/Bibiano/Mariana tem dado o suporte para eventuais boas aparições da turma mais jovem, especialmente Kuck, Leticia Senff e Kawanni. Mas as três tem sofrido com a irregularidade. Na atual temporada Blumenau bateu Santo André nos dois confrontos, mas sabe que o desafio será maior agora e que terá que aumentar sua eficiência. Apesar da evolução, o time ainda faz um esforço tremendo para pontuar, o que impediu uma campanha ainda melhor.

Santo André entrará nesse confronto apostando em sua tradição, já que cumpre uma temporada irregular. A fase da cestinha Jaqueline é boa na competição. A armadora Débora ensaia recuperação dos rumos da carreira após temporadas ruins em Recife. A pivô Simone Lima esbanja disposição defensiva e a veterana ala Silvinha segue importante no ataque, mas ambas convivem com limitações físicas. A ala Érika Leite apareceu como boa surpresa e colaborou muito. O principal problema, entretanto, é que o time ainda se ressente da saída de Ariadna para Campinas e escolheu mal seus reforços estrangeiros.

Eliminada, a equipe de Catanduva não venceu em dezesseis partidas. A torcida é para que com um investimento mais robusto a técnica Fernanda Hartwig, única mulher entre os oito técnicos da temporada, possa reforçar as boas impressões que deixou e fazer a cidade revisitar seus bons momentos no basquete feminino.

Acompanhemos o que nos reservam as quartas de final da LBF a partir de hoje.

Palpites?