Opinião

OPINIÃO: OS PRIMEIROS PASSOS DE NETO NO COMANDO DA SELEÇÃO FEMININA

(Alvaro Jr.)

O técnico José Neto foi recentemente confirmado de forma oficial como novo técnico da seleção adulta de basquete feminino.

Desde 2007, quando Antônio Carlos Barbosa encerrou uma passagem de dez ano no cargo no Pan do Rio, Neto é o oitavo ocupante do cargo, pelo qual passaram nesse período: Paulo Bassul (2007-2009), Carlos Colinas (2010), Enio Vecchi (2011), Luiz Claudio Tarallo (2012), Luiz Augusto Zanon (2013-2015), Antonio Carlos Barbosa (2016) e Carlos Lima (2017-2018).

É interessante notar que nenhum dos ocupantes da função se manteve nela por ao menos um ciclo olímpico. Os resultados internacionais alcançados no período foram ruins, culminando com a não-classificação para o Mundial de 2018 (Americup 2017) e com a perda da hegemonia no continente (Sul-Americano 2018).

Talvez os momentos mais interessantes nesses doze anos tenham sido as conquistas das vagas olímpicas, com Bassul (2008) e Vechhi (2011).

Nesse cenário, a chegada de José Neto é um alento. Respeitado treinador com carreira sólida no basquete masculino, Neto recusou (boas) propostas para apostar em uma tarefa árdua e desafiadora: a reconstrução do basquete feminino brasileiro.

Por enquanto, Neto ainda não comandou um treino. Temos apenas uma convocação bastante coerente para o Pan de Lima, em agosto.

A forma elegante, séria, respeitosa e humilde, no entanto, com a qual o treinador pisou no universo do basquete feminino não deixam outra alternativa que não um ansioso voto de confiança ao seu trabalho.

O trabalho de Neto, no entanto, não é capaz de milagres.

Por maior que seja sua capacidade técnica, por melhores que sejam suas intenções, ele precisa da participação de outros elementos.

Por mais problemas financeiros que a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) enfrente, ela precisa garantir ao treinador boas condições de trabalho (tempo de treinamentos, amistosos). Urge ainda uma ação prática mais ousada sobre as categorias de base, que colecionaram mais um fracasso com a sexta colocação da seleção feminina na Copa América Sub-16.

Por mais problemas que tenham, as jogadoras precisam reencontrar a motivação e o equilíbrio emocional para vestir com dignidade a camisa da seleção brasileira.

Assim uma história mais agradável pode vir a ser escrita nos próximos anos.

por Bert – Painel LBF