Opinião

OURO PURO

Foto: Alexandre Loureiro/COB

Na madrugada do último domingo, onze de agosto de 2019, a seleção de basquete feminino do Brasil conquistou o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima (Peru) ao bater os Estados Unidos por 79 a 73.

A medalha de ouro não vestia o peito das brasileiras na competição desde a mítica conquista em Havana, em 1991.

Dessa combinação de datas, com a emoção genuína da veterana Érika,  a atuação majestosa de Tainá (a Paixão) na final, com madrugadas de torcida pelo basquete feminino e  a empolgação pelo início do trabalho do técnico Neto, explodiu uma conquista verdadeiramente linda e emocionante, que inviabiliza análises mais profundas por alguém que acompanha (e torce) pelo esporte há tanto tempo.

O que consigo dizer, por enquanto, é que sim, há avanços.

O principal é no trabalho defensivo, muito mais agressivo e intenso.

No ataque, nesse pouco tempo de trabalho também já se percebem mudanças, com uma valorização maior da posse de bola e o aumento do número de assistências.

Acho notável que a filosofia de revezamento de atletas tenha se mantido até o final, com Érika e Clarissa atuando por até vinte minutos apenas.

É importante frisar que nessa primeira convocação, Neto não teve muita liberdade de escolha em função de a lista em competições como Pan ser definida com grande antecedência. Para a próxima, o treinador poderá fazer novas observações e trazer novidades após a disputa das finais da LBF.

A despeito dos possíveis avanços técnicos, físicos ou táticos, a alteração mais relevante nesse início de trabalho é no ambiente da seleção e na sintonia com a comissão técnica.

Nos últimos anos, a seleção feminina passou por tantas trocas de técnico que houve uma degeneração nesse relacionamento, com atletas desmotivadas, inseguras e pouco concentradas em quadra.

A chegada de Neto parece ter criado condições para melhorar essa relação e resgatar o respeito com a camisa da seleção.

Por tudo isso, esse ouro é puro.

Parabéns, meninas!

Obrigado!

Bert – Painel LBF