Da redação, em São Paulo (SP) – 10.03.2026 

A história de Thayná Silva é daquelas que fazem o esporte ultrapassar quadras e resultados. Aos 30 anos, a atleta vive um dos capítulos mais marcantes da sua carreira e da sua vida. Grávida pela segunda vez, Thayná descobriu a gestação logo após as finais do Campeonato Paulista de 2025, quando enfrentava o Sesi Araraquara.

Filha, irmã, neta e mãe da pequena Aylla, Thayná carrega o basquete em sua trajetória desde os 13 anos de idade. “O basquete mudou minha vida”, resume. E foi justamente dentro de quadra que ela viveu uma das surpresas mais emocionantes de sua carreira: ao refazer a contagem das semanas de gestação, percebeu que havia disputado as finais grávida (sem saber).

Thayná Silva sorrindo descontraida para a foto

Thayná Silva fala sobre momento e gravidez para a LBF. Reprodução Acervo pessoal Thayná

“Eu fiquei super impactada com a situação. A gente imagina mil coisas, ainda mais por ter que tomar cuidado, mas graças a Deus estava tudo bem”, conta a jogadora, que ainda se recupera de uma lesão no joelho direito (LCA e menisco) sofrida no terceiro jogo da série final.

Apesar da frustração de não poder concluir o campeonato, Thayná guarda com carinho o apoio das companheiras de equipe: “A Alana, a Tássia e a Yas estiveram comigo o tempo todo. Esse suporte jamais vou esquecer.”

A descoberta da gravidez aconteceu dias antes do Natal, já no Rio de Janeiro, onde a atleta se recuperava com o apoio da família. “Minha mãe cismou que meu corpo estava diferente e pediu para fazer um teste. Não demorou dois segundos para dar positivo! Fiz o exame de sangue e confirmei: estava grávida novamente. Foi uma mistura de susto e alegria”, relembra.

Hoje, Thayná vive intensamente o momento. Entre enjoos e sorrisos, reencontra aprendizados da primeira maternidade, que aconteceu há seis anos. “A maternidade me ensinou sobre corpo, tempo e limites. Já passei por tantas coisas,  inclusive uma cirurgia no tendão de Aquiles,  e sigo confiante em cada nova fase.”

Para 2026, o foco é total em cuidar da gestação e planejar a recuperação do joelho. A atleta sabe que cada passo é parte de um processo: “Será um ano de muita dedicação e mudanças, mas estou firme e forte, vivendo um dia de cada vez.”

Além de atleta, Thayná se tornou voz de inspiração para outras mães do esporte. A experiência a motivou a incentivar amigas e companheiras de profissão a não deixarem o medo interromper seus sonhos. “Ter filhos é uma experiência incrível. Nossa carreira continua viva. Nada apaga o que já construímos. Se Deus plantou um sonho em você, é porque Ele já te viu vivendo essa promessa”, afirma.

Com fé, garra e sensibilidade, Thayná segue escrevendo sua história, e finaliza:
“Tenhamos uma ótima LBF 2026, e que Deus nos acompanhe sempre!”

Thayná Silva recebendo o troféu MVP na LBF Caixa 2025.

Thayná Silva recebendo o troféu MVP na LBF Caixa 2025. Foto: Acervo LBF

 Confira a entrevista completa:

Para começar, você pode se apresentar para quem ainda não te conhece? Quem é a Thayná fora das quadras?

Olá, meu nome é Thayná Silva, sou filha, irmã, neta e mãe de uma princesinha linda que se chama Aylla e estou na espera de mais uma menina ou um menino. Sou atleta desde os meus 13 anos de idade, e o basquete mudou minha vida.

Quando e como você descobriu que estava grávida de quatro meses?

Da minha primeira gravidez eu descobri enquanto jogava em São Bernardo dos Campos. Estava de férias no Rio de Janeiro e passei muuuuito mal quando voltamos aos treinos. Fiquei superfeliz e já se passaram seis anos dessa experiência incrível que foi a maternidade.

Agora, nessa segunda gestação, descobri depois do Campeonato Paulista. Estava jogando as finais pelo Corinthians contra o Sesi Araraquara (melhor de cinco), e no terceiro jogo lesionei o joelho direito (LCA e menisco). O terceiro jogo foi numa segunda-feira, e na terça fiz os exames. Desabei em lágrimas. A Alana esteve comigo o tempo todo, me ajudando, acordando de madrugada pra colocar gelo e tomar remédio. Tassia e Yas também sempre estiveram presentes. Tive um suporte delas que jamais esquecerei e tenho até hoje.

Uma semana depois fui ao médico para começar o procedimento da cirurgia, mas decidi passar o Natal no Rio. Dias antes da data, minha mãe — mãe sendo mãe hahaha — cismou que meu corpo estava mudando e pediu pra eu fazer um teste. Fiz o teste de farmácia e deu positivo em segundos! Ainda desacreditada, fui com minha irmã Thalita fazer o de sangue e… positivo de novo! Aí sim eu acreditei (risos).

Qual foi a sua primeira reação ao perceber que já tinha jogado a final do Campeonato Paulista sem saber da gravidez?

Quando fiz os cálculos e percebi que estava jogando as finais grávida, fiquei super impactada. A gente imagina mil coisas, ainda mais por precisar tomar cuidado. Mas graças a Deus o embrião estava pequenininho, nada aconteceu e ocorreu tudo bem. Infelizmente veio a lesão, e eu ainda nem sonhava com a gravidez.

Você lembra de algum detalhe daquela final que hoje ganha um significado diferente, sabendo que já estava grávida em quadra?

O que mais penso sobre aquela final foi não ter conseguido terminá-la. Queria ter jogado os jogos 4 e 5 com as meninas. Essa foi a parte que mais me frustrou, mas o time esteve comigo o tempo todo, e eu com elas.

Se você pudesse “rever” aquela final agora, sabendo que estava grávida, como descreveria a sensação de estar jogando com seu filho(a) junto com você dentro de quadra?

Acredita que ainda não consegui assistir ao jogo 3 (o último que joguei)? Não imagino como teria sido! Se eu soubesse, teria ficado tão preocupada, poderia até mudar meu jogo… a gente pensa tanta coisa.

Na experiência com o primeiro filho, o que você aprendeu sobre corpo, tempo e limites que está te ajudando agora na segunda gestação?

Na primeira gestação, fiquei muito preocupada com o corpo e o desenvolvimento da minha filha. Tive muito suporte familiar. Até cheguei a jogar na Europa e minha filha ficou no Brasil. Foi difícil, mas aprendi muito com ela.

Nosso corpo muda muito. Em 2022, rompi o tendão de Aquiles — mais um desafio. Em março de 2023, já estava de volta na LBF, quebrando barreiras, buscando evolução. Em 2025 veio a lesão no joelho, e agora é mais um obstáculo. Estou vivendo um dia de cada vez.

Não pude fazer a cirurgia por conta da gestação, e estou cuidando de mim. Estou passando muito mal com essa gravidez (só minha família sabe o quanto), mas sigo firme. 2026 será um ano de dedicação e mudanças.

Que mensagem você gostaria de deixar para outras mães atletas que pensam em ter mais de um filho, mas têm medo de como isso pode afetar a carreira?

Já conversei com várias amigas que pensam em ter filhos. Digo sempre: tenham! É uma experiência incrível. Sei que é difícil ficar longe das quadras, mas ter uma família é uma dádiva de Deus.

Sou grata por tudo que vivi. Quem me conhece sabe o quanto batalhei no esporte que amo. Nossa carreira continua, nada apaga o que construímos. Sejam felizes, aproveitem cada momento e se entreguem ao máximo.

Se Deus plantou em você um sonho, é porque Ele já te viu vivendo essa promessa.

Tenhamos uma ótima LBF 2026, e que Deus nos acompanhe sempre! 🙏🏾💜✨

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