WNBA

ERICA WHEELER, EX-SPORT E SAMPAIO, É MVP DO ALL STAR GAME DA WNBA

Stephen R. Sylvanie USA TODAY Sports

No último final de semana, a armadora americana Erica Wheeler realizou um sonho. Participou pela primeira vez na carreira do All Star Game da WNBA. Erica era a única entre as presentes que não havia entrado na WNBA pela porta do draft. A última a conseguir essa façanha havia sido a pivô brasileira Érika de Souza, em 2014.

Mas Wheeler foi além. Ela foi a cestinha do jogo em que seu time (o de A’ja Wilson) venceu o de Elena Delle Done por 129 a 126, com 25 pontos (incluindo seis bolas de três) e encerrou a noite em lágrimas com o troféu de MVP. Foi a primeira vez que a taça chegou às mãos de uma atleta não draftada na liga.

A façanha de Wheeler chamou ainda mais atenção para a surpreendente e comovente história da armadora.

Criada numa região violenta próxima à Miami, Erica atribui sua boa visão em quadra ao fato de ter crescido tendo sempre que “manter os olhos bem abertos”.

A velocidade da menina que gostava de encarar garotos no futebol americano abriu as portas para o basquete, que a levou à Universidade Rutgers, em Nova Jersey. Extremamente dedicada, teve boas temporadas na NCAA com a premiada técnica Vivian Stringer, que a ajudou num momento trágico: a perda da mãe em 2012, aos 44 anos em razão de um câncer.

Em 2013, Wheeler acabou não sendo chamada por nenhuma franquia durante o draft daquele ano da WNBA. Seguiu para sua primeira experiência profissional em Porto Rico (com salário de duzentos dólares semanais), que foi seguida por uma temporada na segunda divisão turca.

Em seguida Wheeler assinou contrato com o brasileiro Fabio Jardine, agente de jogadoras, que trouxe a atleta ao Brasil: primeiro no Sport Recife (2014/2015, quando foi campeã do Desafio de Habilidades no Jogo das Estrelas da LBF) e depois no Sampaio Basquete (2015/2016), quando a armadora foi campeã da LBF.

Entre essas duas temporadas no Brasil, Fabio aproveitou um encontro com o técnico do Atlanta Dream (WNBA) em um aeroporto e pediu uma chance para Wheeler. A armadora achou que estava sendo vítima de uma “pegadinha”, mas ainda assim foi ao ginásio fazer o teste. Ali conquistou sua entrada na WNBA, com uma passagem discreta em Atlanta em 2015, sendo negociada durante a temporada com o New York Liberty.

Os ventos começaram a mudar em 2016, após a conquista da LBF, quando o Indiana Fever se interessou pela intensa armadora enquanto a então titular Briann January (atleta do Maranhão Basquete na LBF 2013/2014) se recuperava de contusão.

De lá para cá, Wheeler nunca mais deixou o Fever e foi progressivamente conquistando espaço e respeito na WNBA.

Fora da liga americana, a jogadora tem servido clubes europeus desde sua última passagem pelo Brasil e conquistou o título da última EuroCopa com a camisa do russo Nadezhda

Ao ser anunciada como MVP, Wheeler comoveu a WNBA com sua emoção. Dedicou o título à mãe e revisitou sua trajetória em um conselho: “Nunca desistam. Nunca. Não importa o que te digam, siga em frente.”

por Bert – Painel LBF

 





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